A mixtape “Pra Quem Já Mordeu um Cachorro por Comida, até que eu Cheguei Longe”, primeira da carreira do Emicida, completou 10 anos em 2019. Um produto feito à mão, gravado em casa, embalado em papel kraft com uma capa “impressa” feita em carimbo. Emicida saia todos os dias do Cachoeira com a mochila cheia de discos pelos bairros de São Paulo com a intenção de tocar o coração de alguém para conhecer seu trabalho. O preço que cobrava? Dois reais! Dinheiro esse que ajudava a produzir ainda mais discos com a ajuda de seu irmão Fióti e sua mãe, Dona Jacira, além de ajudar com pequenas despesas de casa. Em um ano, foram mais de 10 mil cópias vendidas. Mal sabia o rapper que todo esse corre seria o alicerce pra sua carreira como um dos nomes mais conceituados no rap nacional. Ou será que sabia?

Dez anos depois, duas mixtapes, dois EP’s, um DVD e três álbuns lançados, chegou o momento de celebração do início. Como o próprio Emicida sempre diz: “Jamais volte pra sua quebrada de mão e mente vazias”. É em formato de livro que Emicida propõe uma antologia ao reunir textos de artistas, historiadores, poetas, pensadores e pessoas próximas ao rapper — além de ilustrações que remetem ao mundo das HQs — para retratar as vinte e cinco faixas de sua primeira mixtape. Para mencionar alguns nomes que colaboraram para essa construção, temos o poeta Sérgio Vaz, a sambista Leci Brandão, a jornalista Eliane Brum e um prefácio emocionante assinado por Luiz Inácio Lula da Silva. Cada capítulo é precedido ainda por um curto comentário de rappers e músicos, entre eles Karol Conka, Rael, Djonga, Thaide e Criolo. São 168 páginas que te fazem viajar por um universo que mesmo construído há dez anos atrás, ainda se faz muito atual.

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